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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Poema da Noite - Bons Amigos


Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!

Machado de Assis

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Poema da Noite - "Soneto 35" - William Shakespeare



Não chores mais o erro cometido;

Na fonte, há lodo; a rosa tem espinho;

O sol no eclipse é sol obscurecido;

Na flor também o inseto faz seu ninho;



Erram todos, eu mesmo errei já tanto,

Que te sobram razões de compensar

Com essas faltas minhas tudo quanto

Não terás tu somente a resgatar;



Os sentidos traíram-te, e meu senso

De parte adversa é mais teu defensor,

Se contra mim te excuso, e me convenço



Na batalha do ódio com o amor:

Vítima e cúmplice do criminoso,

Dou-me ao ladrão amado e amoroso.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Poema da Noite - Vinícius de Moraes "Como dizia o poeta "


Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não

Fonte: PensadorUol

terça-feira, 17 de maio de 2011

Poema da Noite - Soneto LXX - William Shakespeare


Quando me tratas mau e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.

William Shakespeare

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Poema da Noite - Alerta



E se sempre fosse deste jeito

Da maneira como você percebe e observa as coisas

Talvez tudo fosse mais fácil

Mas a dor e as sombras estarão sempre por perto

E talvez sua mãe não escute você gritar

A sua agonia ainda não se revelou

Por que você está embriagado demais pra pensar

Eu fico aqui observando

É apenas uma questão de tempo

Até que suas idéias parem de se mostrar divertidas

Até que, sozinho, e ferido

O mundo pese mais sobre suas costas

E acabe de uma vez com esse seu sorriso falso e infame

É assim que as coisas são

A vida te medirá, e te pesará

Pode ser que, ao fim, você não seja considerado suficiente

Esta é uma questão de escolha, faça.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Poema da Noite - Soneto CV - William Shakespeare


Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante



Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.

William Shakespeare

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Poema da Noite

Jovens e impulsivos são os encantos
das vozes que cantam sublimes
a revolta da vida regrada
e Regrada, regada a marasmo

Eles tocam e se tocam
em plena luz se manifestam cegos
Carentes de sons audíveis no meio do barulho
Poetas que cantam almas que se desprendem
e soltas, soltam suas vozes além
Para além, do além cantar
Encantos jovens e impulsivos
que se purificam nos cantos obscuros
Cantados pelas bocas sujas e insanas
Loucas de amor pela vida e arte
Jovens e impulsivas, vida e arte
abraços encantados que cantam
nos cantos, livres e soltos
das ruas criadas por eles, e para eles.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Poema da Noite - Sobre Os ventos e as Víboras






Perceba a solidão e respire  a companhia do vento
É onde a dor se manifesta
Ele uiva em seus cabelos as palavras doces que não ouviu durante o dia
à noite, as máscaras caem

No ardor mortal do veneno da víbora
que rasteja sob suas pernas
Não tire os olhos dela, nem de ninguém
É o seu desespero que se tornou visível

O refrigério dos ventos não mente
É a tua vida que se desfaz quando não suporta mais
A máscara de ser alguém tão real
A verdade não é o que querem de você

São mais do que notas e símbolos
Você tem peso e medida
Mesmo que tua santa mãe tenha lhe dito o contrário
E você será ou não considerado suficiente

O vento não desvia de você
Traz a ti os anseios de outros
No perfume insano da amargura que viveram
Sob o intenso calor de um dia normal

O vento e a víbora estão com você
O perfume do cansaço da verdade
E o perigo da mentira eterna que rasteja
E faz a humanidade rastejar por prazer
O prazer que é agora, ou nunca mais

Ao fim,  somente o vento  resta
Cantando triste, uma verdade dura, que ninguém quer ouvir
E quem ouvir, a verdade  chorará
sem a máscara do alguém verdadeiro
que só vive durante o dia.

Lágrimas e víboras que rastejam
Brilhando ao som do vento
Que levará a outros a tua verdade...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Poema da Noite - Concreto e sombra

 
 



Vestidos de cinzas, penitentes
Olhamos as ruas padecendo,
Bêbadas do nosso suor
Satisfeitas com nossas lágrimas

Cai sobre nós a noite bela

Como dádiva tardia
Luzes ofuscantes pesam e nos derramam
E vemos as paredes como paisagens

Aqui não se lamenta pouco
Sofre-se a demora da vida
Da causa ideal que nos envolve
Da derrota perene que o concreto esconde

Eis da noite que surge uma vida nova e fria
Para o remanso que procuramos sob o sol escaldante
Tudo o que queremos
É encontrar sombras abstratas sob o concreto e as luzes

Pois as luzes belas da mentira
Nos matam mais que a verdade que a escuridão esconde
Sob as sombras, vivos estaremos.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Poema da Noite - Sua Queda.




Revisite sua queda, ser humano
Esperto, inquieto
Cheio das suas dúvidas provocadas
Ira que se consome na própria ignorância

Revisite sua queda, e não olhe para mim
Não é aqui que você se encontra
Sua alma pereceu e você não viu
Tinha tanto para se preocupar

É a sua vez de jogar, já não há mais forças
Não pensa, não consegue se mexer,
Eram outros tempos em que você sorria
Sua agonia hoje, enfeita o pescoço de alguma donzela sorridente

Não se debata, apenas revisite, e reflita
Nos seus tempos idos, quando desprezou os livros
Quando deixou que te levassem ao prazer medonho da banalidade
Corrupto, se lançou em uma luxuriosa alegria

Alegria, jamais, apenas revisite sua queda
Chore, incrédulo, pois na solidão está teu prêmio
O gozo eterno da vingança de uma Sabedoria caridosa
Que desprezaste em troca do vil metal

Quando você chegar lá embaixo,
Começaremos tudo de novo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Poema da Noite - Dia dos Mortos



Quanto mais os quisemos,
Menos os tivemos
Seremos talvez insanos ao vê-los
Em sentí-los ou percebê-los


Façam-se frias nossas noites
melancólicas, nossas palavras
Ao respeito das almas que nos vêem
Despercebidas, e loucas que nos falam

Fúnebre saudade revelada
Nos traços finos da arte que se propaga
Elegia triste, aos ventos cantada
Sob a lápide, agora apagada

Sim, vamos nós ao vosso Reino
Independente da nossa vontade
Por que assim é, e façamos que seja belo
O trajeto que nos une, ao sereno e sincero fim
Num flerte eterno entre a dor e alegria
Cheio de saudade, cheio de poesia...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Poema da Noite - Fontes

Eis que as fontes chamam,
em ruídos e clamores
Pelo som da voz que canta, ou cantaria
A elegia triste, da homenagem sombria

As fontes gritam em sãos ouvidos
Águas e vozes se derramam, atritos
Talvez a nós nada parecidos
Mudos, tristes, ensandecidos

E para você que canta
Sinta-se e reflita-se em fontes
Noites e deslumbres aos montes
Sereno, cansado, terno, dormes

Quais são as tuas fontes?
Vivas ou mortas, doces ou amargas?
Reflete nisso tua face sóbria
E passa a mim, tua voz,
para derramá-la em correntes águas...
E todos dela beberão.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Poema da Noite - Sempre Mais...

Nós faremos mais,
Ao entendermos mais e compreendermos melhor
Que tudo não passa do entendimento de viver
Na linha tênue entre o complexo e o simples.

Faremos mais, desarmados e amados
Risonhos tristes no viver pleno do espírito
Entre afagos sinceros na caminhada que se perde
De uma história única e cheia de vida

Faremos mais do que somos
Do que podemos por que queremos
E talvez por crer que a nossa dúvida
Seja o ímpeto para o salto final, que conclui o percurso

Faremos mais do que vislumbramos
A mostra da arte eterna se confunde com planos
E no fim, a lágrima paga o que temos
E por ela começaremos de novo
E sim, adiante, faremos, faremos muito mais.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Poema da noite - Estejam sós os incrédulos

Assim, a sós o lamento dói aos poucos
E percebe-se o brilho de uma luz que só se tem em prantos
O calor do coração não tem origem, mas tem fim
E o sangue nas veias percorre sem direção

Estejam sempre sós,
Pois na solidão encontram a dor e o amor
E neles a eterna semelhança que une a razão de tudo
Ao nosso nada saber.


Estejam sós os incrédulos
Carentes e imersos nos seus vãos pensamentos
No respeito e no caráter da vida
Que se impõe no crer, e no ser.

E quando sós, cada vez mais
Próximos estejam do encontro marcado
No canto, no escuro, com a poesia
E assim sós, e bem acompanhados
Estejam o incrédulos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Reflita-se - Poema da Noite



Fique em si, neste transe noturno que te vagueia
É o roubo da noite, do escuro, da solidão
Tecendo em verdades sua alma ligeira que se cansa
E descendo o véu de névoas sob olhos cansados

A noite roubará todos os verbos
Certos e incertos, na encruzilhada não farão diferença
É apenas você e a sensação estranha
De que algo te observa naquele eterno silêncio

Pise leve e descalço sobre o asfalto
Vibrarão em ti todos os passos que ali pisaram
Não, não se furte ao sofrimento real
Ele te servirá de alimento e medida

Fique em si, você e sua piedade
Apenas ouça, pois teus verbos não se juntam
E dobre-se pela noite que te cobre
Amanhã, suas palavras serão devolvidas.


@allanlpereira

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Poema da Madrugada

Silêncio, agora é a tua hora
Que se esvai no fim dos ruídos próximos
Que se distanciam e silenciam
Fazendo de ti, quieto e distante

Agora é a hora dos crentes
A oração no ranger dos dentes
Imortaliza as palavras antigas
Dos anciãos padecentes


É a hora dos vales abandonados
Tristes e ocultos, velados
Aos olhos poetas da noite que se esconde
Aos crimes de mais um momento
escuro e calmo,
um último momento


Essa é a hora,
Se estás aqui, é a tua hora!
Agora, está tudo bem
Silêncio. Teu momento chegou.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Reflita-se - Poema da Noite

Entre tantos e tão poucos
Caminhando-se pára e para o caminho, se anda.
Se jamais pudermos nos encontrar, faremos
Como tudo o que foi antes, sozinhos e serenos.
Entre raros e muitos, mas não vãos
Cansados no caminho, que nos descansa em pó.
Se sempre e jamais nos veremos, paramos
E pensamos novamente, em coisas velhas, sonhamos.
Talvez jamais seja sempre,
E sozinhos, sejamos muitos,
E mesmo parados, fazemos,
Descansados, tudo o que sonhamos.
Entre tantos, e tão poucos
que somos.



Allan