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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Bolívar: A vitoriosa utopia do fracasso.



Em 1830, neste mesmo 17 de dezembro, falecia Simón Bolívar. Ele tem estado em evidência com os desmandos populistas de Hugo Chaves,  e há de se notar que isso é bom para que ele ganhe uma certa notoriedade. É considerado um dos Libertadores das Américas, sendo até chamado de George Washington da América do Sul. 
Era um aristocrata, e deu forma, diplomaticamente aos ideais revolucionários de independência da América Hispânica.  
Seria mais interessante, se a formação ideológica a que deu início fosse melhor interpretada. Com suas idéias, muitos ditadores dominaram o continente sob o pretexto de estarem seguindo a sua cartilha.  A América Latina é hoje o reduto moral e ideológico do populismo e sofre com o atraso e as constantes patrulhas à liberdade de expressão. 
Talvez ele não pensasse nisso. Se soubesse, se arrependeria. A liberdade de Bolívar é mais cara do que a escravidão da colônia. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

São João da Cruz - O Poeta de Deus


Hoje é aniversário da morte de um grande, porém pouco conhecido militante das fileiras católicas. Autor de poemas inesquecíveis, São João da Cruz foi além da arte e auxiliou Santa Teresa d'Ávila  a instaurar uma profunda reforma na Ordem Carmelita, promovendo um austero chamado religioso e reavivando as boas práticas monásticas, então, relaxadas.  Seus poemas e dizeres refletem a fundo o seu recolhimento e sua experiência mística com Deus. Sua participação na reforma lhe rendeu severos castigos físicos.  Faleceu em 1591, aos 49 anos, de uma terrível enfermidade. 

"A mosca que pousa no mel não pode voar. A alma que fica presa ao sabor do  prazer sente-se impedida em sua liberdade e  contemplação." ( São João da Cruz  *1542 + 1591)

Leonardo Boff e a Contradição Política da Igreja




Aniversariante de hoje, Leonardo Boff é um ex-sacerdote católico, conhecido por seu envolvimento na militância política de esquerda e pela formulação da chamada Teologia da Libertação ( que muitos acham ser a mesma coisa que militar na esquerda, equivocadamente).  É um homem de coragem e de um bom discurso, responsável diretamente por um novo tipo de atuação católica na América Latina dos anos 80, e que agregou seguidores fiéis aos seus pensamentos até hoje. Com mais de 60 livros publicados, é um dos propagadores do Jesus Revolucionário a la Che Guevara ou Fidel e simpatizante da Via Campesina e movimentos sindicais. Leonardo Boff, certo ou errado, é uma figura que desequilibrou as estruturas do catolicismo latino americano, e pode se orgulhar de ter, pelo menos, feito a igreja se mexer de seu habitual marasmo espiritual e colocar um pouco de movimento em suas salas de catequese mofadas.  Que Deus o conserve com saúde. 

domingo, 11 de dezembro de 2011

Um Tango.

Se em muitos outros aspectos não temos nada a invejar os hermanos, na música a coisa é diferente. Hoje é o Dia do Tango, justamente o dia de nascimento de Carlos Gardel.  Morto em 1935, sua voz foi gravada pela Unesco no programa memória do mundo.

O tango mescla sensualidade e drama, sempre com temas melancólicos, é uma das mais autênticas representações da música latina, pela sua exigência em termos de habilidade tanto de músicos como de dançarinos.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Ed Wood. Um Gênio Trash



O que nos faz admirar o inusitado,  original demais, tosco e até de gosto duvidoso é a péssima mania de indústria e de padrão de qualidade que faz a arte popular. No cinema também é assim. Ed Wood foi um cineasta criativíssimo, mas sem recursos nos 40 e 50.  Fez filmes aparentemente confusos, de um terror insano,  e com suas originalidades tem hoje uma legião de fãs.  Foi um dos responsáveis pelos últimos filmes de Bela Lugosi, o nosso eterno e verdadeiro Conde Drácula.  Eddie gostava de muitas figuras caricatas. Mas é bacana, para quem quiser saber sua história, assistir o filme produzido por Tim Burton, onde ele é interpretado por Johnny Deep.  

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Clarice. A verdadeira.





Clarice Lispector é um marco da literatura brasileira.  Um momento único entre os que se achavam eruditos demais e os sentimentalistas. Suas frases remontam à uma racionalidade emocionada, mesmo quando duros ou hostis. Clarice é um bom exemplo do que o hábito da leitura pode fazer,  e nunca se preocupou em agradar. Não tornou-se uma chata domada pelos devaneios linguísticos do nosso idioma, como é comum acontecer, principalmente com nossos escritores mais "acadêmicos".  Clarice era linda, fumava e não tinha problemas em falar coisas inaceitáveis, até mesmo para seus fãs.  Além de suas maravilhosas criações, traduziu contos de Edgar Allan Poe,  e obras como Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice.  

Hoje é aniversário da sua morte. É mais interessante lembrarmos a morte de um vulto, por que na data em que  nasceram não sabíamos quem eles seriam. Na morte, suas histórias são mais concretas.  No caso de Clarice, gostaria eu de ter escrito seu epitáfio.

Clarice é um nome que não deveria mais ser tomado em vão. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Na História - Che Guevara - Nasce um Mito Controverso


De todos os ídolos que surgiram no século XX, com certeza Che Guevara, aniversariante de hoje, é o mais controverso. O argentino revolucionário que se uniu a Fidel Castro na revolução que deixou Cuba à  margem do mundo tem a imagem mais divulgada e reproduzida depois da imagem de Jesus Cristo. É dele também o mérito não muito honrado de  ter liderado centenas de execuções sumárias sentenciadas pelo então Tribunal Revolucionário de Havana. Ainda assim, com o discurso libertário que a esquerda representa e com a adoção e propagação de histórias românticas do período das ditaduras militares na América Latina, Che é considerado um herói, e um mito na eterna luta dos socialistas contra o imperialismo americano. Se vivo, Che completaria hoje 83 anos, e talvez não fosse tão perigoso quanto é morto. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Na História - Joana D'Arc - Ao Crepitar das Chamas


Allan Luis Pereira





Há exatos 580 anos,   Joana D'Arc morria condenada pela Inquisição, acusada de práticas ocultas contrárias ao cristianismo. A menina, de 19 anos na ocasião, lutou ao lado dos franceses na chamada Guerra dos 100 Anos.  No entanto, a heroína foi esquecida e seus feitos só vieram à tona mais de 200 anos depois, e ainda assim, era um nome que dividia opiniões, pois sempre era citada em favor do regime Monárquico.  Como já sabemos, foi executada por engano, e a Igreja Católica a canonizou em 1920, num ato que serviu também para aproximação política com a França. Foi registrado em seu interrogatório, que ela afirmou ouvir vozes desde os 13 anos. Estas vozes,segundo ela mesma revelou, lhe davam conselhos de guerra e de doutrina cristã. Ela é apenas uma das muitas "bruxas" queimadas pelo Tribunal da Inquisição na Idade Média, e acabou por ser tornar, além de santa,  o símbolo maior de uma Igreja que hoje tenta juntar as próprias cinzas.