Mostrando postagens com marcador POEMA DO DIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POEMA DO DIA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Poema do Dia - "Amar" - Carlos Drummond de Andrade

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 15 de maio de 2012

Poema do Dia - Limiar

              I
Da soturna jornada
Pelas brumosas sendas
Da anestesia,
Não guardei memória.

Sou um pêndulo que oscila
Dos limites da vida
Aos limites da morte.

Rubros lobos me espreitam silentes,
Numa densa garoa vermelha
Que lateja no ritmo da febre.

Venho à tona, por segundos,
E volto ao limo do sono.

Da sede, brota em meu sonho uma fonte:
Água fria em chão de pedra.
No fundo, uma alga se espreguiça
E essa alga sou eu. 

                  II
Luminosa alegria de olhar!
De todos os lados, o apelo do verde,
Da vida verde e serena.
Aquele cipreste
Que gesticula e dança,
Acorda-me na lembrança
Reminicências vegetais:
Pequenino fremir de relva
No dorso dos campos;
Altos pinheiros imóveis;
Floresta oceânica e múrmura.
Festivo apelo do verde,
da vida verde e serena.

Ventura elementar de estar ao sol,
Viva e sem dor. 

Helena Kolody

quarta-feira, 14 de março de 2012

Poema do Dia - HAI-KAIS

Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.

Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
que há pouco chorou.

Trêmula gota de orvalho
Presa na teia de aranha,
Rebrilhando como estrela.

Festa das Lanternas!
Os ipês estão luzindo
De globos cor-de-ouro.

Corrida no parque.
O menino inválido
aplaude os atletas.

Nas flores do cardo,
leve poeira de orvalho.
Manhã no deserto.

O brilho da lâmpada,
no interior da morada,
empalidece as estrelas.

A morte desgoverna a vida.
Hoje sou mais velha
que meu pai.

Helena Kolody

segunda-feira, 5 de março de 2012

Poema do Dia: Soneto 17

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

William Shakespeare

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Poema do Dia: Levantamos Nossas Taças

Ao fracasso da história que vivemos

Levantamos nossas taças

Ao fim da melancolia reprimida

Rolam as lágrimas aliviadas

Ao vencedor jogamos nossas moedas

Para que se aproveite da sua vaidosa condição

Amargos e venenosos temperos

Estamos buscando sempre a variação colorida

De algo que é sombrio por natureza

Levantamos nossas taças ao falso

E brindamos a sordidez maléfica

Olhamos nos olhos e apertamos as mãos

Depois seguimos embriagados

Para o alento e repouso protegido

Dos nossos lares escondidos

                                      de tudo


                                           (Allan Jones)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Poema do Dia - Amor a primera vista

Ambos estão convencidos de
que se juntou um sentimento súbito.
É lindo que a segurança,
mas a incerteza é mais bonito.

Imagine que, como até então desconhecida
nada tivesse acontecido entre eles.
Mas que sobre as ruas, escadas, corredores
onde poderia ter sido ultrapassado há muito tempo?

Gostaria de perguntar
se você não se lembra
-Talvez um encontro cara a cara
uma vez em uma porta giratória
ou um "sorry"
ou o som "estava errado" no telefone,
mas eu sei que a sua resposta.
Não me lembro.

ser surpreendido
saber que há muito tempo
chance de jogar com eles,

nenhuma chance de todos preparados
para tornar-se seu destino

o zoom,
que estavam em seu caminho
e para rir
desviada para um lado.

Havia sinais, sinais,
mas o que fazer se não fossem compreendidas.
Não há pairou
um ombro a ombro estrada
há três anos
ou até mesmo a última terça-feira?

Havia algo de achados e perdidos.
Quem sabe se qualquer bola
nas matas da infância.

Houve maçanetas e campainhas
em que um toque
superou outro toque.
Sacos, lado a lado, em um slogan.
Talvez uma certa noite o mesmo sonho
desapareceu imediatamente depois de acordar.
todos os princípios
é apenas uma continuação,
eo livro de eventos
está sempre aberto no meio.

Wislawa Szymborska

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Poema do Dia - Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,

pois é muito longe e tão tarde!

Pensei que era apenas demora,

e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:

que me conforme em ser sozinha.

Há uma doce luz no silencio,

e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto

para um céu maior que este mundo,

e aprenda a ser dócil no sonho

como as estrelas no seu rumo.

(Cecília Meireles) 

via www.astormentas.com 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Poema do Dia - Chove

Chove... 

Mas isso que importa!, 
se estou aqui abrigado nesta porta 
a ouvir a chuva que cai do céu 
uma melodia de silêncio 
que ninguém mais ouve 
senão eu? 

Chove... 

Mas é do destino 
de quem ama 
ouvir um violino 
até na lama.


Por José Gomes  Ferreira  

via www.astormentas.com 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Poema do Dia com Vinícius

Soneto do Amor Total - Vinícius de Moraes 

Amo-te tanto meu amor... não cante

O humano coração com mais verdade...

Amo-te como amigo e como amante

Numa sempre diversa realidade.


Amo-te enfim, de um calmo amor prestante

E te amo além, presente na saudade.

Amo-te, enfim, com grande liberdade

Dentro da eternidade e a cada instante.


Amo-te como um bicho, simplesmente

De um amor sem mistério e sem virtude

Com um desejo maciço e permanente.


E de te amar assim, muito e amiúde

É que um dia em teu corpo de repente

Hei de morrer de amar mais do que pude
.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Poema do Dia - Autor Desconhecido

Às vezes, parece que a vida não é mais do que um teste para nossa paciência e resistência.

Há dias em que a alegria já acorda em nossa companhia; e há dias em que levantamos sem ânimo, sem mesmo saber para quê, pois até a esperança de felicidade parece extinguir-se.

O cansaço e a desesperança atacam a todos, sem excepção; e há os que sucumbem e se rendem à vida, abandonando a luta e aceitando a derrota.

Que tu não sejas um destes e acordes, hoje, como um bravo; alguém a quem a vida, muitas vezes, não oferece nada, nem mesmo a esperança - mas que, mesmo assim, cerra os dentes, levanta, reage e luta!

Que acordes como um valente, de quem o destino pode tirar os sentidos e a respiração, mas não pode tirar a coragem.

Pois, se a vida nos testa, mostremos a ela que nosso corpo pode ser frágil, mas que nossa alma é de aço.

E que a espinha de um bravo verga, mas não quebra!



via www.astormentas.com


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Poema do dia: É o poema de quem rasga os versos




                                                                           É o poema de quem rasga os versos


porque os sentiu demais para os dizer

e os ouve nas ondas tão dispersos

como os sonhos que teve e viu morrer

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Poema do dia - Capitães da Areia


A cidade dormiu cedo.
A lua ilumina o céu, vem a voz de um negro do mar em frente.
ta a amargura da sua vida desde que a amada se foi.
No trapiche as crianças já dormem.

A paz da noite envolve os esposos.
O amor é sempre doce e bom, mesmo quando a morte está próxima.
Os corpos não se balançam mais no ritmo do amor.
Mas no coração dos dois meninos não há nenhum medo.
Somente paz, a paz da noite da Bahia.

Então a luz da lua se estendeu sobre todos,
as estrelas brilharam ainda mais no céu,
o mar ficou de todo manso
(talvez que Iemanjá tivesse vindo também a ouvir música)
e a cidade era como que um grande carrossel
onde giravam em invisíveis cavalos os Capitães da Areia.

Vestidos de farrapos, sujos, semi-esfomeados, agressivos,
soltando palavrões e fumando pontas de cigarro,
eram, em verdade, os donos da cidade,
os que a conheciam totalmente,
os que totalmente a amavam,
os seus poetas

Jorge Amado

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Poema do Dia - "Amar e ser Amado" - Castro Alves


Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano,
Beijar teus labios em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante, amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Poema do dia - Felicidade


Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Poema do Dia por @edkasse




Há alguns meses recebi de presente um livro de poemas do Eduardo Kasse. Li na primeira semana, e acho justo que vocês recebem um pouco da arte do Eduardo. O livro,  completo na variação poética, é um incentivo à reflexão. A poesia explica-se por si só, vamos a ela.



Risos de maldade 
Ecoam sem limites 
Sem respeito à saudade 
Daqueles que choram tristes 


Inconstante afeição
Pelo ódio esquecido 
Queimando junto a lenha, junto ao coração 
Que a fumaça espessa torna enegrecido 


Torturas de um passado vão 
De uma história nos pesadelos guardada
E nos precipícios da mente, corroe-se sem perdão
pois o medo espera a próxima jornada 


Nas noites dos olhos cerrados, a sensibilidade alarga 
A apatia ignóbil 
O gosto da derrota amarga 
Ressurge indócil 


Tempo em que a luz escassa
Almejava desaparecer da terra podre 
E avontade esparsa
Aumentava a dor do açoite 


Poema "Tempos Esquecidos" de Eduardo Massami Kasse, transcrito do livro Enquanto o Sol se Põe, da coleção Arte Poética.

Obrigado ao Eduardo pelo apoio ao blog, continuamos juntos na caminhada pela cultura!


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Poema do Dia - "Sol de Primavera" - Beto Guedes



Quando entrar Setembro

E a boa nova andar nos campos

Quero ver brotar o perdão

Onde a gente plantou

Junto outra vez



Já sonhamos juntos

Semeando as canções no vento

Quero ver crescer nossa voz

No que falta senhor



Já choramos muito

Muitos se perderam no caminho

Mesmo assim não custa inventar

Uma nova canção

Que venha nos trazer

Sol de Primavera

Abre as janelas do meu peito

A lição sabemos de cor

Só nos resta aprender



Beto Guedes



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Poema do Dia - Por Nuno Júdice

Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.





fonte: www.astormentas.com 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Poema do Dia - A Fortaleza do Espírito

A Fortaleza do Espírito ( Autor Desconhecido ) 



Às vezes, parece que a vida não é mais do que um teste para nossa paciência e resistência.

Há dias em que a alegria já acorda em nossa companhia; e há dias em que levantamos sem ânimo, sem mesmo saber para quê, pois até a esperança de felicidade parece extinguir-se.


O cansaço e a desesperança atacam a todos, sem excepção; e há os que sucumbem e se rendem à vida, abandonando a luta e aceitando a derrota.

Que tu não sejas um destes e acordes, hoje, como um bravo; alguém a quem a vida, muitas vezes, não oferece nada, nem mesmo a esperança - mas que, mesmo assim, cerra os dentes, levanta, reage e luta!

Que acordes como um valente, de quem o destino pode tirar os sentidos e a respiração, mas não pode tirar a coragem.

Pois, se a vida nos testa, mostremos a ela que nosso corpo pode ser frágil, mas que nossa alma é de aço.

E que a espinha de um bravo verga, mas não quebra!



fonte: www.astormentas.com

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Poema do Dia - Fernando Pessoa diz: Posso ter Defeitos


Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo,
e posso evitar que ela vá à falência.


Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fonte: Pensador.uol