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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dica de filme - Entre o céu e o inferno




O filme é de 2006, conta a história de Rae (Cristina Ricci) viciada, abusada, e perdida. Quando seu namorado Ronnie (Justin Timberlake) é convocado no exército, Rae se desespera, perde o chão, mas uma esperança a encontra. A vida de Lazarus (Samuel L. Jackson) cruza com a de Rae, e uma história sobre perdas, blues e fé começa.

Lazarus foi abandonado pela esposa, e temente a Deus assume a missão de cuidar de Rae. No desenrolar da história, ao som de muito blues e se envolvendo no drama dos dois, o amor se torna a principal característica do filme.É sobre ter fé, e acima de tudo sobre o poder de cura do amor.

Para quem aprecia boa fotografia, Entre o céu e o inferno é um prato cheio! A trama é forte e envolvente, a trilha sonora é perfeita, e o efeito do filme é inesquecível.

Vale a pena assitir!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Conto da Meia Noite: Pés no Chão (Ana Valvassori)





Com o som ligado na rádio da cidade, tocando a nostalgia daquela vida normal, olhava pela janela. O céu sem estrelas, uma noite escura e estranhamente silenciosa. De pés descalços
sentia o piso gelado, aumentando a melancolia da menina mal acomodada no sofá.
As mãos suaves de unhas curtas, acariciavam os próprios braços fingindo afastar o frio de uma noite quente. Na parede amarelo claro, a forma de um mosquito esmagado era só mais uma marca de algo que já passou.
Nos olhos castanhos ela guardava suas lembranças que tão vivas, tão reais, a faziam suspirar.
Ao som de um doce bolero seu rosto empalidecia, esboçava um sorriso ao sentir a luz do luar. Via as horas passarem e o sono não chegava. Suas noites eram longas, tristes, e solitárias. Pegava o telefone, esperando que alguém ligasse, desejava ardentemente que alguém a chamasse pelo nome. Deixou que a cabeça descansasse apoiada nas costas do sofá, e fechou os olhos pra evitar que as lágrimas rolassem. Mordeu os lábios de leve, pensando em mais uma noite perdida. O chão tão frio fez adormecer os pés descalços. O tímido vento que tocava seu rosto fazia com que ela lembrasse de ruas estreitas, de pessoas queridas e do pé de acerola. Sutilmente, um perfume conhecido tocou sua pele, e ela sentiu como um beijo de despedida. Sabia que não o sentiria outra vez. Abriu os olhos marejados de lágrimas e não conteve um ultimo suspiro. Lentamente, pôs os pés no chão e caminhou até o quarto. Tomada pelo cansaço deitou-se delicadamente, repousou a mão debaixo do travesseiro e deixou-se marcar mais uma vez por uma história inacabada e por um novo lugar. E então, entre quatro paredes desconhecidas, sentindo-se perdida, adormeceu.


Ana Valvassori